Compra em site falso: o que fazer e quem responde pelo prejuízo

25 de setembro de 2026

O preço estava ótimo, o site parecia de verdade e o pagamento foi por Pix. Depois, o produto nunca chegou, o site sumiu e o telefone não atende. Uma compra em site falso é um dos golpes mais comuns do comércio eletrônico, principalmente perto de datas como Black Friday e Natal.

Neste guia, eu explico como reconhecer um site falso, o que fazer depois de uma compra em site falso e quem pode responder pelo prejuízo. Além disso, mostro por que a forma de pagamento muda muito as suas chances.

Pessoa com cartão de crédito no notebook, risco de compra em site falso
Foto: rupixen / Unsplash

Como o golpe da loja falsa funciona

Em geral, os golpistas copiam o visual de uma loja conhecida ou criam uma marca nova. Depois, impulsionam anúncios nas redes sociais e no buscador com preços muito abaixo do mercado. Por fim, empurram o pagamento para Pix ou boleto, que são mais difíceis de estornar.

Outra variação é o perfil falso de vendas no Instagram ou no Marketplace, que pede pagamento antecipado e depois bloqueia o comprador.

Como evitar uma compra em site falso: sinais de alerta

  • Endereço com letras trocadas ou terminações estranhas.
  • Descontos irreais, bem abaixo de qualquer concorrente.
  • Pagamento só por Pix ou por transferência, ou desconto grande para pagar no Pix.
  • Ausência de CNPJ, endereço físico e canal de atendimento confiável.
  • Domínio criado há poucos dias e nenhuma avaliação fora do próprio site.

Antes de comprar, consulte o CNPJ na Receita Federal e procure a loja em sites de reclamação. O Procon-SP também mantém uma lista de sites que devem ser evitados.

Fiz uma compra em site falso. O que fazer agora?

  1. Se pagou com cartão de crédito, ligue para o emissor e peça o cancelamento da compra, a contestação conhecida como chargeback.
  2. Se pagou por Pix, avise o seu banco na hora e peça a abertura do MED, o Mecanismo Especial de Devolução.
  3. Registre boletim de ocorrência com o endereço do site e os comprovantes.
  4. Salve prints do site, do anúncio, do pedido e das conversas antes que tudo saia do ar.
  5. Denuncie o anúncio na rede social ou no buscador onde ele apareceu.

Explicamos o passo a passo do Pix no artigo sobre o MED 2.0 e a devolução do Pix.

Quem responde pelo prejuízo de uma compra em site falso?

O golpista é o principal responsável. No entanto, ele quase sempre some. Por isso, a pergunta útil é outra: por onde o dinheiro passou?

Cartão de crédito

No cartão, o caminho costuma ser mais simples. A administradora e o banco emissor fazem parte da cadeia de fornecimento do serviço. Assim, a contestação feita logo tende a resolver a maioria dos casos.

Pix e conta de destino

No Pix, o dinheiro vai para uma conta aberta em alguma instituição. Se essa conta foi aberta sem checagem adequada ou já tinha sinais de uso em fraudes, a instituição que recebeu o valor pode responder. Da mesma forma, o seu banco pode responder se não agiu depois do aviso. Veja mais em responsabilidade do banco em golpes via Pix.

Plataformas e anúncios

Quando a compra aconteceu dentro de um marketplace, a plataforma costuma responder pelo Código de Defesa do Consumidor. Já anúncios pagos que levaram a um site fraudulento podem gerar discussão sobre a responsabilidade de quem vendeu o anúncio, principalmente depois de denúncias ignoradas.

Como se proteger de uma compra em site falso

  • Prefira cartão de crédito, de preferência virtual, em compras de lojas que você não conhece.
  • Digite o endereço da loja você mesmo, em vez de clicar em anúncios.
  • Desconfie de pressa e de estoque “acabando”.
  • Pesquise o CNPJ e a reputação antes de pagar.

Quer ver como esses golpes são montados? Faça a nossa experiência interativa.

Perguntas frequentes

Paguei por Pix numa loja falsa. Ainda dá para recuperar?

Às vezes, sim, principalmente quando o aviso ao banco é rápido e o valor ainda está na conta de destino. Nenhum resultado é garantido, mas o tempo faz diferença.

Vale a pena processar por um valor pequeno?

Depende. Para valores menores, o Juizado Especial pode ser um caminho. Já para valores maiores, a análise da conta que recebeu o dinheiro costuma ser o ponto de partida.

Caiu numa compra em site falso? Conheça a atuação da Pardi e Morais como advogado para golpe do Pix e fale com a equipe.

Este artigo também está no portal Falando de Fraudes, iniciativa da Pardi e Morais com alertas diários sobre golpes.

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Danilo Pardi

Advogado (OAB/SP 384.895) e sócio fundador da Pardi e Morais Advogados, em Alphaville (SP). Atua em golpes e fraudes digitais, direito bancário e direito digital, com foco em recuperação de valores e responsabilização de bancos, fintechs, corretoras e plataformas. Coapresenta o podcast Falando de Fraudes e é membro da ANPPD.

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