Golpe do falso advogado: como funciona e o que fazer

25 de setembro de 2026

O golpe do falso advogado é hoje uma das fraudes que mais fazem vítimas entre quem tem um processo na Justiça. A mensagem chega pelo WhatsApp, com a foto do seu advogado, o número real do seu processo e uma boa notícia: você ganhou a causa. Só falta pagar uma taxa para o dinheiro ser liberado.

Porém, não existe essa taxa. E é aí que mora o golpe.

No escritório, a gente atende esse tipo de caso toda semana. Por isso, escrevi este guia com o que você precisa saber para não cair e, se já caiu, o que fazer nas primeiras horas para tentar recuperar o dinheiro.

Golpe do falso advogado: pessoa lê mensagem no celular em ambiente escuro
Foto: Gilles Lambert / Unsplash

O que é o golpe do falso advogado

É uma fraude em que o criminoso se passa pelo advogado da vítima, ou por alguém do escritório, para pedir dinheiro. Para isso, ele usa dados verdadeiros do processo, que muitas vezes estão disponíveis nos sistemas dos tribunais. Com isso, a conversa parece legítima desde a primeira mensagem.

Em geral, o alvo costuma ser quem espera um valor da Justiça. Pode ser uma indenização, um acordo, uma causa trabalhista ou uma ação contra o banco. Afinal, quem espera dinheiro quer receber logo, e o golpista explora justamente essa ansiedade.

Como o golpe do falso advogado funciona na prática

O roteiro quase sempre segue a mesma ordem:

  1. Coleta de dados. O criminoso consulta processos públicos e anota nomes, número dos autos, valores e o advogado responsável.
  2. Perfil falso. Em seguida, cria uma conta de WhatsApp com a foto e o nome do advogado ou do escritório. Às vezes usa até o logotipo.
  3. Boa notícia. Depois, manda a mensagem: o processo foi ganho, o alvará saiu, o valor está disponível.
  4. A cobrança. Então aparece a condição: pagar custas, imposto, taxa de liberação ou atualização cadastral. Tudo por Pix.
  5. Pressão. Por fim, vem a urgência. “O prazo vence hoje.” “Se não pagar, o valor volta para o réu.”

Em versões mais novas, o golpista manda documentos com o brasão do tribunal, faz chamada de vídeo com uma pessoa se passando por juiz ou usa voz criada por inteligência artificial. Da mesma forma, alguns pedem que a vítima instale um aplicativo para “validar a conta”, o que dá acesso ao celular.

Sinais de alerta

  • A mensagem vem de um número novo, mesmo com a foto do seu advogado.
  • Pedem Pix, boleto ou depósito para liberar um valor que você vai receber.
  • O Pix vai para uma pessoa física ou para uma empresa que não é o escritório.
  • Há pressa e ameaça de perder o dinheiro.
  • Pedem sigilo, do tipo “não comente com ninguém para não atrasar”.
  • Mandam link ou aplicativo para você instalar.

Na verdade, basta um desses sinais para você parar e confirmar. Na dúvida, não pague.

A regra que desmonta o golpe do falso advogado

Guarde esta frase: ninguém paga para receber dinheiro de processo. Quando você ganha uma ação, o valor fica depositado em uma conta judicial. Depois, o juiz autoriza a saída por alvará ou por transferência direta. Nesse caminho, não há taxa de liberação, imposto antecipado nem custa a ser paga por Pix para terceiros.

Já os honorários são outra coisa. Eles estão no contrato que você assinou com o seu advogado, e você sabe quanto e como paga. Portanto, se surgir uma cobrança nova, fora do combinado, desconfie.

Como confirmar se a mensagem é verdadeira

Primeiro, não responda pelo número que mandou a mensagem. Ligue para o seu advogado no telefone que você já tinha salvo, ou procure o contato oficial no site do escritório.

Além disso, consulte o próprio processo. Os tribunais permitem acompanhar o andamento pela internet com o número dos autos. Se o valor tivesse sido liberado, isso apareceria lá.

Por fim, lembre que o criminoso usa o nome de advogados reais. Ou seja, checar se o advogado existe não basta. O que resolve é falar com ele por um canal que você já conhecia.

Aqui na Pardi e Morais, os nossos canais oficiais são o WhatsApp (11) 99776-8645 e o e-mail casos@pardimorais.com.br. Não fazemos cobrança para liberar valores de processo. Se receber algo diferente disso em nosso nome, fale com a gente antes de qualquer pagamento.

Caí no golpe do falso advogado. E agora?

O tempo é o que mais pesa. Quanto antes você agir, maior a chance de encontrar o dinheiro ainda na conta de destino. Assim, faça nesta ordem:

  1. Avise o seu banco imediatamente, pelo aplicativo ou pela central oficial. Informe que foi golpe e peça a devolução pelo MED, o mecanismo de devolução do Pix.
  2. Registre boletim de ocorrência, que pode ser feito pela delegacia eletrônica do seu estado.
  3. Avise o seu advogado de verdade. Ele pode informar o juiz do processo e a OAB.
  4. Guarde tudo: prints da conversa, número usado, comprovantes de Pix e dados da conta que recebeu.
  5. Não pague mais nada, mesmo que prometam devolver o que você já mandou.

Depois disso, vale ler o nosso guia sobre o que fazer nas primeiras 48 horas após um golpe.

O banco responde pelo golpe do falso advogado?

Depende do caso. Não é automático, mas também não é impossível. A Justiça olha para uma pergunta central: o banco falhou na segurança?

Em setembro de 2025, por exemplo, a 4ª Vara Cível de Santos condenou instituições bancárias e de tecnologia a devolver o valor desviado e a pagar R$ 10 mil de danos morais a cada vítima. Segundo o juiz, o dever de segurança não se limita a conferir a senha. Ele inclui analisar o contexto da operação.

Já em fevereiro de 2026, uma turma recursal do Distrito Federal mandou o banco pagar metade de um prejuízo de R$ 30 mil. Isso porque a instituição não bloqueou uma transferência alta, fora do perfil da cliente. Nesse caso, porém, a Justiça entendeu que a vítima também teve parte da culpa.

Por outro lado, em julho de 2026, o STJ reforçou que o banco não responde sozinho por todo golpe. Para condenar, é preciso mostrar a falha concreta, como uma transação muito fora do padrão que passou sem nenhum alerta.

Na prática, os pontos que mais pesam a favor da vítima são:

  • Pix de valor alto ou em sequência, fora do seu padrão de uso.
  • Conta de destino recém-aberta, que recebeu dinheiro de várias vítimas.
  • Demora do banco em bloquear a conta depois de avisado.
  • Falhas na conferência de quem abriu a conta que recebeu o dinheiro.

Explicamos esses critérios com mais detalhe no artigo sobre responsabilidade civil do banco em golpes via Pix.

O que muda com o projeto de lei

Em março de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou o PL 4.709/2025. O texto cria um crime específico para esse golpe, com pena de até oito anos. Além disso, prevê canais rápidos para bloquear linhas e contas usadas pelos criminosos e prioridade na devolução às vítimas. Até a publicação deste artigo, o projeto aguardava análise no Senado.

Enquanto a lei não sai, o caminho continua sendo o mesmo: agir rápido, preservar as provas e buscar a responsabilização de quem falhou na cadeia do dinheiro.

Perguntas frequentes sobre o golpe do falso advogado

Advogado pode pedir Pix para liberar alvará?

Não. O dinheiro de um processo sai da conta judicial por ordem do juiz. Não há taxa para liberar alvará.

Como o golpista sabe os dados do meu processo?

Grande parte dos processos pode ser consultada pela internet. Com o nome das partes, o criminoso encontra o número, o valor e o advogado responsável.

O meu advogado responde se eu cair no golpe?

Em regra, não, se ele não participou nem vazou os dados. Mesmo assim, avise-o. Ele pode alertar o juiz e ajudar a reunir as provas.

Dá para recuperar o dinheiro?

Muitas vezes, sim. As chances são maiores quando a vítima avisa o banco nas primeiras horas e quando há falha de segurança de alguma instituição envolvida.

Quer ver na prática como golpes assim são montados? Acesse a nossa Experiência interativa. Se você recebeu uma mensagem suspeita ou já pagou, fale com a Pardi e Morais.

Precisa de ajuda com um caso assim? Conheça a atuação da Pardi e Morais como advogado para golpe do Pix.

Este artigo também está no portal Falando de Fraudes, iniciativa da Pardi e Morais com alertas diários sobre golpes.

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Danilo Pardi

Advogado (OAB/SP 384.895) e sócio fundador da Pardi e Morais Advogados, em Alphaville (SP). Atua em golpes e fraudes digitais, direito bancário e direito digital, com foco em recuperação de valores e responsabilização de bancos, fintechs, corretoras e plataformas. Coapresenta o podcast Falando de Fraudes e é membro da ANPPD.

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